sábado, 12 de setembro de 2009

O cíclico, o transitório.



No verão o corpo dilata e precisamos de mais espaço

O ar é quente e temos que transpirar para nos livrarmos do calor produzido pelo metabolismo acelerado das células

Os líquidos corporais estão fervendo

Época de acasalamento

A luminosidade nos enche de energia e queremos explorar

O sol brilha intensamente e aquece a tudo

A luz traz consigo o reconhecimento do espaço externo e nos tridimensionaliza

Quando o outono chega trazendo consigo os ventos as coisas podem mudar de direção rapidamente

A vida tem um sabor de brisa e de sopro

A água e os ventos lavam e limpam

O processo de senescência começa a acontecer à natureza e ela começa a envelhecer

Perder suas folhas, sua pele, seu viço

As sementes são espalhadas pelo vento e se depositam em lugares escuros e úmidos para o processo de germinação e hibernação do inverno, para então, ressurgirem com a primavera

Durante o inverno, em seu sono profundo, a natureza se repensa, se recicla, se reinventa

Voltamos-nos para dentro e o peso da gravidade parece estar mais forte sobre os nossos corpos

Um ciclo inteiro, com todas as suas mudanças e transformações, que varia de acordo com a nossa distância do sol, com o girar da terra

No processo constante de frenesi quântico, as partículas subatômicas estão constantemente se tornando e deixando de existir. Nascimento, morte e renascimento em microssegundos.

É um padrão que tende a se repetir na natureza. Da micro a macrodimensão.

Neste projeto tentamos traduzir estas mudanças e este ciclo nos corpos dos bailarinos/intérpretes, explorando conexões entre este ciclo e a vida humana como um todo.

Nós nos debruçamos sobre a pergunta: Como o processo de nascimento, crescimento, declínio e morte pode ser traduzido em dinâmicas de movimento no espaço/tempo? Quais são as variáveis mais características ou mais presentes em cada uma destas fases?

Como seriam trabalhadas estas mudanças de foco? Através do movimento em si, enquanto forma? Através da internalização dos movimentos? Através da mudança de dinâmica?

Ao manipular as variáveis tentando tanto internalizar quanto externalizá-las, descobrimos novas formas de se mover e vivenciar este movimento.

Em alguns momentos temos que parar e nos perguntar se aquilo que estamos experimentando está dentro do que nos propomos inicialmente e em caso de estarmos nos afastando da idéia motriz do experimento retornamos ao inicio para então recomeçar.

A medida que o processo se desenvolve fazemos novas descobertas e temos que de certa forma reajustar o seu curso. Um constante desafio à criatividade.

Por: Quark Insano (Designer de movimento)

sábado, 5 de setembro de 2009

Be - Um experimento coreográfico para 4 corpos quânticos.

É infinitamente prazeroso ter estes 4 seres quânticos se entregando de corpo e alma, partícula e onda ao espaço multidimensional da minha mente.
Eles me possibilitam uma experiência única, a de ter a responsabilidade por esta entrega.

O exerimento está cada vez mais saindo do universo expandido das idéias e conceitos para se adentrar no universo concreto e subjetivo do movimento.
As dinâmicas vão ganhando em complexidade e nós continuamos a trabalhar com as variáveis espaço, fluxo, peso, vibração e volume.

A minha maior felicidade é ver nos olhos e nos corpos deles o prazer de estarem participando deste processo.

Obrigado!

Por: Quark insano (Designer de Movimento)















sábado, 29 de agosto de 2009

O processo continua!

A primeira parte do experimento está pronta. Nela submetemos as células coreográficas a uma exploração da variável “espaço”. Os movimentos originais são aqui questionados quanto a sua espacialidade, como interagir com a cinésfera individual e coletiva.

Atualmente estamos questionando a variável “fluxo” e reestruturando os movimentos, seja transformando as células já existentes, seja adicionando novos movimentos.

Quatro serão as variáveis manipuladas neste experimento, espaço, fluxo, peso e volume.

Os primeiros esboços musicais foram apresentados ao grupo por André Pruden e ambientação sonora começa a criar forma.

Por: Quark Insano (designer de movimento)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

As organizaçoões corporais e os padrões neurológicos básicos.


Busco

Deito, deixo e perco individualidade

Adquiro um novo padrão de qualidade

Sem remanescências de pés e mãos

Apenas uma fluida uniao

Expansiva

Expressiva, célula passiva.

Busco.

Sinto uma mudança nesse instante

Surgindo pontos, entre si equisistantes

Movimento com irradiação abdominal

Sensitiva

Acho-me uma estrela cativa.

Busco

Uma nova forma se clareia

Enquanto minha coluna serpenteia

Como uma eixo livre no ar

Inovação no peito de criar

Massiva

Perdido a beleza criativa

Busco

Subverto a noção de gravidade

Surge uma biparidade

Repartindo-me distanciado, ao meio

Confiança superior e inferior, o receio

Lasciva

Mudando de maneira ativa

Busco

Ascende uno a força diagonal

Cortando-me de maneira contralateral

Na forma sou torto e reto

Levanto-me como um ser ereto

Objetiva

De maneira subversiva

Busco

Reconheço-me

Humano.
(GEOVANE NASCIMENTO, 2001)
Texto proposto pelo coreográfo Kiran
por Janaina Gomes
Be- experimento quântico n 4

terça-feira, 14 de julho de 2009

hai kai (quântico)

Em algum lugar
Conexões acontecem
Eu e o outro.

Vácuo quântico
Em movimentos certeiros
Vibra com vida.


Por Janaina Gomes
Be- Experimento quântico n 4.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pequenas, singelas e preciosas impressões

Sentir-se bem é o que me move neste momento, neste processo.

Aprendo, erro, conserto, memória daqui, memória de lá, quase louca ouço vários setes e oitos.

Um casamento, ou melhor, estamos em lua de mel

POR FAVOR NÃO INTERROMPA!!!

Este é o processo, isto é Be- experimento quantico n 4.

encontro de almas, entrega, harmonia. São caracteristicas básicas de um dos trabalhos mais felizes que faço.

Escrevendo textos, sincronias coreograficas, mudanças de direções, quatro lados, quatro elementos, o quarto elemento (berilo), as quatro estações, as quatro pessoas (eu "janaina", Patricia, Gervásio e Elis).

Lembra-me aquela brincadeira: Somos quatro eu com tu, tu com ela nós por cima nós por baixo.

As vezes penso que são cinco, o quinto é o nosso sexto sentido, o nosso pintor, o nosso físico quantico Kiran, que modela nossos corpos, movimentos e sensações, melhor dizendo, deixa fluir tudo isto ao mesmo tempo e nos da a liberdade de produzir mimos coreográficos.


Lembra infância, liberdade de criar, voar, pensar alto, pensar grande... é isso! Eis-me aqui, uma criança de 7 anos a brincar, começando a adquirir suas responsabilidades infantis... eis-me aqui enamorada, como uma adolescente de 15 anos que acaba de marcar um encontro.

Como é bom dançar feliz!!!!!

Por Janaina Gomes.
Be- experimento Quantico N 4.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Bruxinha de Blair

Carrego comigo uma vassoura, ela se encontra pronta para limpar a areia salgada da praia. Vejo distante, senhorzinhos vestidos de branco e azul, tomando em um cálice, champanhe acompanhado de caviar e rapadura. Senhorinhas de vermelho correm loucas pelas areias brancas, descabeladas, sem classe alguma, maquiagens borradas, saltos quebrados e tudo o que existe de deselegante estava presente naquela vermelhidão toda.

Em um palco vejo uma mulher diferente de todas as outras que ali se encontravam. Cabelos longos carregava uma taça de vinho na mão, usava óculos de grau, calça jeans e uma bata branca estava rodeada por um circulo que não identifico ao certo o que era mas me parecia uma espécie de bruxaria, jogava vinho no chão e olhava para mim dizendo:
- Você sabe muito bem o que é isso!!!!! É para você.
Fiquei a olhar por um tempo toda aquela cena, mas as senhorinhas de vermelho estavam loucas, e me empurravam em direção ao mar, fazendo cosquinhas em minha barriga, e eu chorava em ver aquelas caras enrugadas e borradas perto de mim, a me tocar com as mãos sujas de areia.

Eu estava de camisola branca e não queria me sujar, estava pronta para dormir, era dia, mas já estava na hora de voltar ao meu sono profundo. Fui sugada pelo mar, e depois disso lembro-me apenas de quando me acordei, em uma cama branca sem as partes intimas, estava suja de sangue, meus olhos borrados de tanto chorar, logo mais abaixo um ovo gigante que eu acabara de parir criado por um bode, estava entre minhas pernas. Eu e um ovo dentro de um quarto todo branco.

por Janaina Gomes - Be- processo quantico N.4

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A oito mãos

O PARTO


Esse ano, eu não comi bolo de molho. Molho de chuva. Os pés molhados encantados por uma certa orca marinha. Mas, o molho que se encontrava no bolo estava dentro da barriga da orca.

Gosto de comer bolo para emagrecer, e minha energia diminuir proporcionalmente ao triângulo da velocidade da luz. Luz de vela. Só assim conseguiria plantar o meu pé molhado de sorriso de orca e turnê abortada de Michael Jackson.


Cresci, cresci e não entendia a razão, o pé de cabelo estagnou minha lógica. Cabelo que era black ficou liso, Michael Jackson que era preto e ficou branco, que tinha nariz alargado e ficou afilado.

Fui uma vez ao seu show e dancei nas estrelas ao som de Billie Jean com os pés molhados de bolo de lágrimas. Sou feliz quando danço nas estrelas: eu e meus iliopsoas alongados.


Atravesso o céu, mar e terra. Com o dedo do pé aliso o Mar Morto, morto para você, meu bem, que é áspero feito pedra pome. Você, meu Michael, vamos dançar juntos? Com os isquiotibiais, os iliopsoas e todos os músculos alongados como seus cabelos. Vamos Michael? Com aquela tua jaqueta brilhante e aquela tua luva de diamante e com teus sapatos computadorizados que nos fazem escorregar para trás. Sapatos com chips, fótons e bolos de elétrons prontos para dançar e partir a barriga da orca que mora no mar morto e o pé de bye bye.


Por todos os intérpretes

para o processo de Be....


Sobre o processo

Neste processo coreográfico decidi utilizar a forma escrita de expressão como atalho para os movimentos. São duas as vias de acesso ao poder criativo dos intérpretes, os Haikais, como forma de síntese, de canalização de sentidos por uma via que os estimule a organizar pensamentos e imagens, e a escrita automática, tão utilizada pelos surrealistas e psicanalistas como forma de acesso ao inconsciente. Por um lado tento a condensação de conceitos e idéias e por outro a expansão de imagens inconscientes, ambas são traduzidas em movimentos através de improvisações dirigidas. Observo que para a maioria, a capacidade de síntese é mais difícil, porém quando é pedido que simplesmente dêem vazão às imagens do inconsciente a través da escrita automática eles desenvolvem melhor.

Como abordar a física quântica com suas teorias tão complexas, a teoria da sincronicidade, teoria do caos e a aleatoriedade através do movimento? Decidi não trabalhar com dança teatro, que é um terreno conhecido para mim. Se for para ser desafio tem de ser coletivo. Estamos todos tentando encontrar juntos formas coerentes de corporificar conceitos abstratos e concretos através da improvisação, utilizando sempre uma estrutura poética como base. Normalmente em dança teatro a “ação” é base das improvisações e estas já carregam em si significados bem definidos ou codificados. O desafio aqui é justamente a utilização de movimentos que não expressem ações, mas que tenham uma forma mais subjetiva ou abstrata de representar as imagens utilizadas como bases para as improvisações.

No decorrer do processo nos surpreendemos com a agilidade e rapidez com que as células coreográficas estão criando vida. Todo este material será utilizado no design da coreografia e na estruturação cênica do espetáculo.

Gosto de trabalhar com improvisações dirigidas, pois elas oferecem ao intérprete a possibilidade de ser cocriador do processo, e por conseqüência se envolver mais com ele. Uma vez que as células coreográficas estão prontas começa o meu trabalho de estruturá-las dentro da minha visão geral do espetáculo.

O trabalho em conjunto está acontecendo de forma fluida e prazerosa. Fico satisfeito e feliz com o grau de entrega destes intérpretes criadores tão criativos e talentosos que se doam inteiramente ao processo.

Por Quark Insano
Para o processo de Be – Experimento Quântico N. 4

Em 26.06.09

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Quantic Tarantino

Acaba o espetáculo, pausa para lavar o rosto e se recompor, logo ali pertinho encontra-se um homem usando uma capa preta e óculos escuros, não é o neo do matrix, é um objeto ainda não identificado.
Aproveitando um momento de distração este objeto não identificado, me leva em seu cavalo preto, a 200 por hora, fomos comer sushi e adentramos em um bar freqüentado pela máfia chinesa. O sushi servido era de carne humana e o enfeite do prato principal era dentes de tubarão acompanhado por uma bebida facilmente identificável (cerveja).
Depois de comer aquela mistura que causava tontura e deixava os dentes vermelho sangue, nos lançamos um ao encontro do outro, como mágica fomos parar no andar de um prédio mal assombrado, com o teto baixo e alguns corpos pendurados sobre a parede, a fricção aconteceu, sem olhos nos olhos, sem nenhuma poesia a ser dita ou escutada.
E assim aos poucos eu identificava este objeto. Passou-se sete dias, sete meses, sete anos, sete casas, sete sentidos, (além dos 5 existentes os outros dois eram segredos secretos, que só me couberam saber).
Pronto estava resolvido, a imagem deste objeto era feia, nojenta, com um aspecto de mendigo. Ele se aproximou de mim, doente, pedindo ajuda. E eu? Eu o matei com um celular e um e-mail... Ao ver, ele desintegrou-se, evaporou, deixando o ar mais limpo, a leveza voltou a ser insustentável e o sol saiu vermelho-rosa, gritando de felicidade ao ver o objeto jogado logo ali no chão...


escrito por Janaina Gomes
Be- experimento quântico N.4